Reflexão VI


               Nesses dias de deserto, veio à minha mente o pensamento de pôr o Cristo no centro do meu projeto de vida, deixando de lado impulsos de controle sobre o que eu gostaria que fosse diferente. Por exemplo, eu gostaria muito de sair, de ver meus amigos e parentes, de dar um basta à solidão, entretanto, as circunstâncias nas quais nos encontramos exigem, de cada um de nós, um comprometimento com o bem-estar coletivo; ao mesmo tempo, essas mesmas circunstâncias, por imporem certa quietude, possibilitam um encontro íntimo com Deus, tal como o Cristo que se retirou no deserto. Se antes "faltava tempo", agora, já não há desculpa para se entregar à oração. Enquanto isso, as ciladas ficam à espreita. Pessoalmente, meu maior empecilho são as distrações; elas surgem a todo momento sob a forma de uma memória completamente alheia ao meu diálogo com Deus; são intrusões que em nada favorecem minha interação espiritual. De modo que, pacientemente, retorno ao que dizia antes com Ele, como se nada tivesse acontecido.

Daniel Viana

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